Lendo o livro da minha filha de 1 ano percebo que as ilustrações procuram externalizar as preferências da personagem. E me dou conta que, desde pequenos, tentamos fazer o mesmo com nossos filhos. Estimulamos os pequenos a demonstrarem suas preferências, porém ao mesmo tempo temos a tendência a condicionar estas preferências a escolhas limitadas. Geralmente marcas infantis ao invés de profissoes, animais, cores, ou itens alegres como arco-iris. E as marcas sabem disso, e lançam cada vez mais produtos. Afinal, quem é que decora o quarto do filho que quer ser lixeiro (operador ecológico) de amarelo, com caminhoes e latas de lixo? Exceção à profissao de jogador de futebol.
No caso em questão o livrinho era cheio de morangos. Almofada de morango, quadro de morango, doces de morangos. Sendo que morango é uma fruta, nao há marcas (que eu me lembre) interessadas em obsecar as crianças com morangos para poderem lucrar. Acredito que o livro tenha sido essencialmente educativo, podendo até mesmo estimular os bebés a terem simpatia com a fruta. Mas também o livro retratou este habito social (estimular as crianças a externalizarem as proprias (ou dos pais?) preferências de forma implicita (?) ao repetir varias vezes o morango, ao invés de variar com diversas propostas de frutas.
Os livros infantis absolutamente nao sao vilões ou minimamente culpados quando afirmo que entre o primeiro ano e o quarto ano de vida as preferrências das crianças passam de "nao comerciais" a "comerciais". Em algum momento eu me perdi e, ao invés de continuar a seguir a linha da maioria dos livros (que acredito sejam escritos por pessoas inteligentes e procuram acompanhar o crescimento das crianças, tratando de seus problemas e vivências) comecei a me conformar com a linha de pensamento (meramente comercial) imposta pela televisão. Nao somente pelas propagandas, mas pelos próprios desenhos, que nao obstante a classificação (duvidosa) "livre" colocou na cabeça da minha filha de 4 anos que ela deve trocar de roupa varias vezes em casa para ter "estilo".
Às vezes nao nos damos conta, mas estamos estimulado os nossos filhos a transformarem as próprias preferências em obsessões. Quando se transformam homens se preocupam demasiadamente com o momento em que o próprio time de futebol esta passando, esquecendo-se que isso não altera em nada a vida deles (a menos que nao sejam jogadores) e que por trás da paixão exacerbada existe a política (alguém esta ganhando muito dinheiro com isso) e o estado, que deve oferecer "pão e circo" para acalmar a população. Mas nao vou entrar nesse assunto. Somente acredito que como pais devemos ter mais atenção ao que realmente estamos ensinando aos nossos filhos.
Somos nós os principais educadores, a responsabilidade é nossa.